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Caixa de Ozempic (semaglutida), um dos medicamentos GLP-1 para perda de peso
FUNCIONAL

Mounjaro, Ozempic e exercício: porque o treino não é opcional

Equipa BeWater · · 7 min de leitura

Estás a tomar Mounjaro, Ozempic ou Wegovy? Provavelmente já estás a sentir resultados. A balança desce, a roupa fica larga, e há uma sensação rara de finalmente ter o apetite controlado. Boa.

Há, no entanto, um detalhe que muitas vezes não fica claro no consultório, e que a imprensa internacional começou a documentar: uma parte significativa do peso que estás a perder com estes medicamentos não é gordura. É músculo. E sem treino de força, esse músculo perdido pode comprometer tudo o que estás a tentar construir.

Este artigo não é para te assustar, nem para te dizer que não devias tomar a medicação. É para te dizer o que falta na conversa.

O que estes medicamentos realmente fazem

Mounjaro (tirzepatida), Ozempic e Wegovy (semaglutida) são agonistas do receptor de GLP-1. Em linguagem simples: imitam uma hormona que o teu corpo já produz, que regula o apetite e a sensação de saciedade. Comes menos sem ter de lutar contra a fome o dia inteiro. É por isso que funcionam tão bem.

O problema é que perder peso depressa não distingue gordura de músculo. O corpo perde o que tens — e tu tens das duas coisas.

A parte que ninguém te conta

A imprensa internacional tem sido bastante clara sobre isto. A Cleveland Clinic publicou um artigo directo a sublinhar que sem treino de força, uma fatia importante do peso perdido com GLP-1 é massa magra — músculo e osso —, e que “uma vez perdida, a massa muscular é muito difícil de recuperar”. Não é uma opinião isolada: a Harvard T.H. Chan School of Public Health cita estimativas em torno dos 25% do peso perdido com estes medicamentos a vir do tecido muscular, e recomenda explicitamente 1 a 1,5 gramas de proteína por quilo de peso por dia para mitigar essa perda.

E há um efeito secundário visual que toda a gente já viu na imprensa: o chamado “Ozempic face” — a cara afundada, a parecer envelhecida — é em grande parte resultado dessa perda de massa magra subcutânea. Não é só estética. É um sinal exterior do que está a acontecer por dentro.

Porque é que perder músculo é mau, mesmo perdendo peso

Há quem ouça isto e pense: “tudo bem, perdi um pouco de músculo, mas estou mais magro.” Não é assim tão simples. Três problemas concretos:

  1. Metabolismo mais lento. O músculo é metabolicamente activo — queima calorias mesmo em repouso. Perdê-lo significa que o teu corpo gasta menos energia 24 horas por dia. Logo que parares a medicação (e a maioria das pessoas pára, eventualmente), recuperas o peso mais facilmente, porque agora precisas de menos comida para o manter.
  2. Recuperação do peso é a regra, não a excepção. Quando se pára a medicação, o peso costuma voltar nos meses seguintes — e os benefícios para tensão, glicose e colesterol acompanham. Se chegares a esse ponto com menos músculo do que tinhas antes, ficas em pior forma do que estavas no início.
  3. Fragilidade e qualidade de vida. Menos músculo significa menos força funcional. Subir escadas, levantar uma compra, brincar com os filhos — tudo fica mais difícil. Em pessoas mais velhas isto tem nome clínico: sarcopenia. E acelera tudo o que envelhecimento traz de pior.

A CNN Portugal acompanhou quatro pessoas que tomaram estes medicamentos. A conclusão delas, e dos especialistas que entrevistou, é consistente: o medicamento é uma muleta para mudar o estilo de vida, não um substituto. Quem não muda nada à volta da medicação, recupera tudo o que perdeu.

A solução não é complicada (mas não é negociável)

A boa notícia: a literatura é praticamente unânime sobre o que fazer. Treino de força e proteína suficiente.

A Cleveland Clinic recomenda uma combinação de:

  • 150 minutos de exercício de intensidade moderada por semana (cerca de 30 minutos, 5 vezes por semana), OU
  • 75 minutos de exercício vigoroso por semana, MAIS
  • Treino de força pelo menos 2 vezes por semana, idealmente trabalhando todos os grandes grupos musculares

A componente de força é a parte não negociável. É o sinal que diz ao teu corpo: “não desmanches este músculo, ainda preciso dele.” Sem esse sinal, o corpo trata o músculo como tecido caro de manter num momento em que estás a comer pouco — e despacha-o.

A parte da proteína acompanha: a recomendação que aparece em todos os artigos consultados é cerca de 1 a 1,5 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia. Para uma pessoa de 80 kg, isso são 80 a 120 gramas de proteína por dia. Difícil quando já comes pouco — possível com planeamento.

”Mas eu nem consigo treinar — tenho zero energia”

É a queixa mais comum. Faz sentido: estás a comer muito menos, é normal ter menos combustível. A resposta não é forçar uma hora de HIIT no primeiro dia. É começar onde estás.

A Cleveland Clinic, no mesmo artigo, recomenda explicitamente começar com 10 a 15 minutos por dia e ir construindo a partir daí. Não é preciso ser herói. É preciso ser consistente.

Na prática:

  • Semanas 1-2: caminhadas de 20-30 minutos, 4-5 vezes por semana, mais 2 sessões curtas de treino de força (30-40 minutos cada) com cargas baixas, focadas em aprender a mecânica.
  • Semanas 3-6: mantém a caminhada, sobe o treino de força para 3 vezes por semana, começa a progredir as cargas.
  • A partir daí: o sistema cardiovascular já aguenta intensidade. Podes adicionar treino funcional mais exigente, ou experimentar artes marciais como boxe ou Muay Thai para a parte aeróbia, sem perder as sessões de força como espinha dorsal.

A ordem importa. Força primeiro. Cardio depois.

Porque é que o Be Water faz sentido nesta fase

Há razões concretas para escolher um sítio com aulas pequenas e técnico ao lado, em vez de te inscreveres num ginásio de máquinas e tentares descobrir sozinho:

  • Forma correcta desde o início. Estás a aprender padrões de movimento que vão ficar contigo durante anos. Aprender mal agora cria lesões mais à frente. Nas nossas aulas de treino funcional, o treinador está literalmente ao teu lado a corrigir.
  • Cargas adaptadas ao teu nível. Não há vergonha em começar com kettlebells leves. Há vergonha em magoares-te a tentar provar alguma coisa.
  • Estrutura, não força de vontade. Aulas marcadas, horários fixos, treinadores que te conhecem pelo nome. Quem está em GLP-1 muitas vezes lutou anos com motivação — não precisas de mais dependência de força de vontade. Precisas de um sistema que funcione mesmo nos dias maus.
  • Acesso a todas as modalidades. Quando o corpo estiver mais condicionado e a apetecer-te mais variedade, tens boxe, Muay Thai e Jiu-Jitsu incluídos no mesmo plano. Não há nada como descobrir, aos 45 anos, que afinal sempre gostaste de bater pads.

Se já leste o nosso artigo sobre funcional vs CrossFit, sabes que defendemos um treino com técnica primeiro e intensidade depois. Para quem está em GLP-1, essa ordem é ainda mais importante.

O que NÃO fazer

Para evitar mal-entendidos:

  • Não tentes treinar em jejum prolongado. Já estás em défice calórico significativo; cumular jejum com treino intenso é receita para tonturas.
  • Não comeces com 6 sessões por semana no dia 1. Vais durar duas semanas e desistir. Começa com 2-3 sessões e cresce a partir daí.
  • Não compares o teu progresso com o de alguém que não está em GLP-1. A tua experiência é diferente. Avalia-te a ti próprio: força que aumenta, energia que aparece, roupa que assenta melhor.

Resumo em três linhas

  1. Os GLP-1 fazem perder peso — incluindo músculo.
  2. Sem treino de força e proteína suficiente, é provável que recuperes o peso (sem o músculo) quando parares.
  3. Treino de força 2-3 vezes por semana + proteína adequada transforma estes medicamentos numa ferramenta sustentável, não numa montanha-russa.

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Be Water Lisboa — Av. do Brasil 7, Campo Grande. Segunda a sexta 07h–21h, sábado 10h–13h.

— Equipa Be Water

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